domingo, abril 11, 2010

Hoje tive saudades de mim.

Quem já não sentiu saudades. Palavrinha dificil, que nem mesmo tem tradução no Inglês. Porque será... eles nunca tem este sentimento. Não sei, mas eu sinto e muitas saudades: de pessoas, amigos, parentes, lugares, coisas, músicas, sentimentos... e principalmente de quem eu fui um dia.

Sinto falta da proteção da infância (comidinha na boca, historinhas no pé da cama), da inocência da pre adolescencia (achar que num simples beijo poderia engravidar), dos sonhos de adolescente (a festa de 15 anos), do primeiro beijo (tão diferente de tudo que tinhamos imaginado e treinado kkkkkkk), do primeiro grande amor (o frio na barriga), do vestibular (quanta ansiedade, sem saber se tinha feito a escolha certa), dos tempos de faculdade (estar cercada daqueles que tinha os mesmo interesses, mas sem ser seu inimigo profissional), das baladas da época (festas hi-fi, regadas com cuba libre, de 5 as 9h hahahaha), dos meus aptos em Copacabana, (aonde morei a maior parte da minha vida e de onde gostaria de nunca ter saído), do amor incondicional da minha mãe (sempre ao meu lado, independente das minhas decisões, sendo meu porto seguro), da minha conta bancária (que me permitia aproveitar os prazeres mais caros da vida), do amor que eu não vivi (porque tinha pressa de viver a vida), da minha Barbie e Susie, do meu Ford Corcel, do meu gato Félix, das partidas e chegadas ...

Como vc pode ver, são muitas as saudades. E como não lembrar do cheiro das férias de final de ano, do calor do Natal, das rabanadas, dos longos papos ao telefone com as amigas, do confete espalhado no salão, no último dia de carnaval no clube militar, do beijo roubado na praçinha, do primero acampamento cheio de mosquitos, de quando olhei pela primeira vez a minha mãe adotiva, do final de semana no suburbio, na casa dos primos, na piscina do clube, da formatura, da coleação de Long Plays dos Beatles, do Vatapá de minha mãe, minha primeira sonata de Schubert ao piano ...

Parece tudo muito triste, mas não é, eu tive a oportunidade de viver intensamente, o amor, raiva, solidão, paixão, arrependimento, tesão, maternidade, amizade, frustração, felicidade, e portanto, me considero uma pessoa feliz, porque, não tenho saudades do que não fui e sim do que fui: filha, menina, namorada, amante, mulher e mãe. Todas que eu fui um dia e que hoje estão dentro de mim.

Viver a vida em todas as suas nuances, é fundamental, SEMPRE. É ter muitas hisórias pra contar. E isso eu tenho...

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