quinta-feira, junho 30, 2011

CTI - UMA EXPERIÊNCIA RUIM (eu diria péssima)

Encontrei esse texto na internet, retrata bem o que sentimos quando temos alguem querido no CTI ou UTI.

Um mal-estar súbito. Calafrios, fraqueza muscular, tremores difusos, sem controle. Deixa-se de ser dono de si mesmo neste instante, quando o corpo diverge do que se pode querer com a razão e o coração. Quando o corpo não obedece mais e se desvia do padrão de normalidade a que se está acostumado.

Vem a internação. Um hospital - da melhor qualidade, escolhido a dedo pelos familiares - onde se deve permanecer até que o médico dê a ordem da alta. Mas, é um lugar frio, impessoal, sem cores, sem quadros nas paredes, sem vida (sem vida para salvar vidas, não se compreende muito bem).

No apartamento ainda os familiares, os pertences pessoais, a vontade sendo satisfeita na medida do possível e dentro das ordens médicas, as visitas e os telefonemas. Ainda se ouve risos, vozes, conversas.

Instabilidade no quadro clínico, completa perda de poder sobre o corpo e sobre a vontade. Respostas não esperadas do corpo, do orgânico, da hemodinâmica. Toda a parafernália à disposição: tubos, oxigênio, soro, e até uma campainha para chamar a enfermagem.

Não é o bastante. Carece-se de uma atenção mais intensiva. Transferência para o Centro de Tratamento Intensivo - CTI. Passa-se a ter uma atenção mais dolorida neste momento. Dói estar só. Dói estar longe da família e dos amigos. Dói estar sem referência, sem nenhum pertence que poderia identificá-lo. Dói para o paciente e para sua família.

O paciente lá dentro, completamente protegido dos vírus, das bactérias, dos vermes, das contaminações diversas. Protegido, também, do carinho, do amor. Colocado em uma redoma fria e monótona, distante do mundo caloroso dos contatos humanos.

A família do lado de fora, a chorar (sem saber que o paciente lá dentro também chora e chora sozinho) imaginando a dor do doente e sentindo a sua própria dor.

São dores. Dores surdas, que ecoam na alma e se expressam nas lágrimas, nos batimentos cardíacos, na pulsação da tristeza. Que se fazem notar nos olhos caídos, no olhar baixo, na redução do tônus muscular.

Não. Não pode ser aquele lugar um lugar apropriado. Não pode ser aquele lugar um lugar que restaura a vontade de viver. Talvez seja apenas um lugar que sirva para aproximar a pessoa doente de Deus, porque só Ele pode permanecer ali, junto e de mãos dadas todo o tempo, a velar em silêncio o sono induzido de quem sofre.

2 comentários:

Ana M M Pereira disse...

Sol amiga,

Fiquei pensando no sentido/significado de EXPERIÊNCIA... Sempre penso que não é possível classificar uma experiência como ruim ou boa - a palavra já se classifica: "Empirismo, prática de vida, ensaio, a pessoa é capaz de experimentar, reconstruir e modificar algo."

Entendo experiências difíceis (boas ou ruins; alegres ou tristes; importantes ou insignificantes...); acredito que quando podemos ‘experimentar’ temos opções, possibilidades...

Isso: experiência = possibilidade / possibilidade = caminho / caminho = vida / vida = experiência!!!

Experiência é o hoje, o presente. Às vezes pensamos que poderia ter sido diferente, poderíamos ter evitado, ter feito outro caminho, mas tudo isso é ‘passado’ e não podemos mudá-lo, ou seja, ‘experiência é presente!

Essas minhas divagações sobre ‘experiências’ fazem-me lembrar de outras. Cito ‘culpa’ x ‘responsabilidade’. São dois sentidos que se confundem muito durante o nosso viver / nossas experiências, mas quando, ao invés de sentirmos-nos culpados, sentimos-nos responsáveis abrem-se (como quando experimentamos) tantas possibilidades...

Se experiência é vida, obviamente nossas experiências deixam marcas; marcas difíceis de superar, difíceis até de serem ‘digeridas’ (assim como alguns dias de nossas vidas). Mas, ‘fazem parte’ dessa nossa caminhada.

Então, os CTI / UTI são difíceis de serem ‘digeridos’; são experiências que desejamos não ‘experimentar’ (muito menos que nossos amados filhos experimentem), são um tanto quanto gélidos, técnicos, impessoais, né? Parecem ‘fim’ , ou como descreve o texto “Não pode ser aquele lugar um lugar apropriado. Não pode ser aquele lugar um lugar que restaura a vontade de viver...”.

Parece, mas não é! É o presente – é o seu “hoje” – experimentado / vívido! Mas, graças à Deus acredite: esse ‘hoje’ já será ‘ontem’ no próximo amanhecer – ensolarado, iluminado, colorido, aquecido, generoso e fértil de VIDA!

Bjão carinhoso,
Ana

Soll disse...

muito especial. guardarei pra sempre.